Richard Wagner (1813-1883)
Sonhos
(Estudo para Tristão e Isolda)
para a Lourdinha
Que sonhos são estes, estranhos,
Que a alma me têm tomada,
Sem se afundarem nos escolhos
Do esquecimento e do nada?
Sonhos que cada momento,
Cada dia, mais florescem.
E com seu celeste encanto
O espírito me atravessam.
Sonhos belos que nos entram
Pela alma, cheios de glória,
E eterno quadro aí pintam:
Todo olvido, só memória!
Sonhos como um sol de Abril
Que os botões beija na neve,
Para que em delícias mil
O novo dia os celebre,
P'ra que cresçam e floresçam,
Em sonhos esparzindo odor,
E no teu peito feneçam
Antes de à campa descer.
Na estufa
(Estudo para Tristão e Isolda)
para Lurdes M.
Folhagens abobadadas,
com esmeraldas e dosséis,
Filhas de terras perdidas,
Dizei-me: por que chorais?
Inclinais os ramos, mudas,
Traçais figuras nos ares,
Da dor mudas testemunhas,
Soltam-se os doces odores.
Para o longe os braços estendeis
Em desejo e nostalgia,
E em delírio abraçais
Morta solidão vazia.
Pobre planta! Sei como é,
Temos o mesmo destino:
Há brilho e luz, mas não é
Deste mundo o nosso reino!
E quando o sol se despede
Do dia oco, sem sombra,
Quem sofre esconde-se e pede
O silêncio e a penumbra.
Desce a calma e, estremecendo,
Um ar cruza o escuro; e se olhas
Vês gotas cheias, pendendo
Da orla verde das folhas.
7.2.07
Do Livro das Oferendas...
Às
23:58
Por
J.B.