As versões que se seguem, como já as de Rilke com que iniciei este «Poço de Babel», provêm de um conjunto de traduções de poesia que há poucos anos ofereci a amigos e amigas de uma causa comum. São quarenta e cinco poemas (incluindo os de Rilke já aqui inseridos), de várias épocas e línguas (poetas alemães, mas também místicos como Al Halladj ou Hadewijch de Antuérpia, e Emily Dickinson). Depois, iniciarei uma nova série em que irei dando a conhecer algumas centenas de traduções inéditas do alemão – a (quase) única língua de que traduzo poesia –, do século IX até hoje.
Reiner Kunze (ex-RDA, 1933– )
Desculpa
para Wagner Schwartz
Uma coisa é uma coisa
auto-suficiente
Supérfluo
o sinal
Supérflua
a palavra
(Supérfluo
eu)
Gottfried Benn (Alemanha, 1886-1956)
Março. Carta para Merano
para a Vina
Guardai, guardai as flores para quando eu
vier, esparzi então a espuma e o mar,
amendoeiras, forsítias, sol sem véu –––
ao vale seu brilho, ao eu o seu sonhar.
Eu quase inteiro, no fundo só fragmento,
eu sem essência, também sem fulgor,
presa fácil das horas de lamento;
seu nome, entregou-o ao esquecimento,
só às vezes o lembra, sem vigor.
E assim vai indo – vinde, flores, só quando eu
chegar. Eu busco, mas ando perdido –––
Ah, viesse ainda o reino, o do céu,
a sorte do instante conseguido!
18.1.07
DO LIVRO DAS OFERENDAS
Às
18:13
Por
J.B.